Lilian Farias. Mulher, feminista, escritora, professora. Formou-se em Letras/Português pela UPE- Universidade de Pernambuco. Escreveu o romance O céu é logo ali e Mulheres que não sabem chorar (Giz Editorial), o livro de poesia Rito Serpente (Amazon) e de contos, FOME (Amazon). Ganhadora do prêmio Uirapuru 2021, categoria romance, com o livro Cassandra (Editora Folheando). Selecionada para coletânea Ser, Nascer e Desnascer (Enquanto Mulheres) (Primavera Editorial, 2021). Selecionada para publicação do livro de poesias Nada Fez Sentido Depois que Parti (Editora Libertinagem, 2022) e para antologia Uma Mulherzinha, Não. Um Mulherão (Editora Toma Aí um Poema, 2022).


COITO 


Escrevo perna

Braços

Bocas e lábios

Cruzo

A dor do parto

Escrevo um filho

Cruzo novamente

Dor

Filho

Tal qual um relógio

O coito a dor um filho

Tem braço, perna, boca

Ouvido

Voz

Tem universo e infinito.  


*  


PELOS SULCOS DA ALMA 


Encontrei-me no espelho

A despir-me.

E enquanto verdades

diziam que sim

O espelho repetia

quem não.


Nua, não pelas vestes,

Mas em espírito

E pelos sulcos da alma

O espelho questiona

Quem és tu, mulher?

Angústia, alegria ou esfinge?

És folha caída, brilho, ousadia?

Responde – ordenou– e eu não sabia.

Não sabia porque

não me caibo

Em rótulo.

Não me caibo

onde não há amor.

Não tenho destino

que me ache.

Dialogo com memórias


E hoje há de se fazer

Uma nova história.  

Não sou nem alta  

Nem baixa

Sou mulher em trânsito.

Nada do que fui

Foi à toa.


Agora sou outra

Amanhã me recolho

Numa colcha de retalhos

E me refaço

De novo em mulher.

Porque não sou


Chegada e nem partidas

ou o entre

meio

Que pode ser

Sentada ou de pé.

Na luta. 

Na labuta.

Enquanto gero um ser

Abaixo do Coração.

Ou enquanto questiono

Que o que está posto

Precisa radicalmente mudar.

A vida das mulheres importa…


Porque mulher

Não é um conceito

É uma liberdade

Que não cabe em padrão.

E isso me torna imortal.  


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