No dia 31 de maio de 1819, nascia o poeta americano Walt Whitman. Considerado um dos mais importantes de sua época, é também uma das maiores referências para toda a literatura do século XIX e século XX. Seus principais ecos estão em parte da literatura marginal e, principalmente no caso dos Estados Unidos, na poesia da geração beat.


Pleno de vida agora


Pleno de vida agora, consistente, visível,
Eu, quarenta anos vividos, no ano oitenta e três anos dos Estados,
Ao homem que viva daqui a um século, ou dentro de quantos séculos for,
A ti, que ainda não nasceste, dirijo este canto.
Quando leias isto, eu, que agora sou visível, terei me tornado invisível,
Enquanto tu serás consistente e visível, e darás realidade a meus poemas, voltando-te para mim,
Imaginando como seria bom se eu pudesse estar contigo e ser teu camarada:
Faz de conta que eu estou contigo. (E não o duvides muito, porque eu estou aí nesse momento.)


A ti, Ó Democracia


Venha, farei o continente indissolúvel,
Farei a mais esplêndida raça sobre a qual o sol jamais brilhou,
Farei divinas terras magnéticas,
Com o amor dos camaradas,
Com o amor de toda vida dos comadaradas.Plantarei o companheirismo copioso como árvores ao longo de todos os rios da América e ao longo das margens dos grandes lagos e por todas as pradarias,
Farei cidades inseparáveis, cada uma com os braços em volta do pescoço da outra,
Pelo amor de camaradas,
Pelo másculo amor de camaradas.  


A base de toda metafísica


E agora cavalheiros,
Uma palavra digo para permanecer em vossas mentes e memórias,
Como base e também finale para toda metafísica.(Assim para os estudantes o velho professor
Ao término de seu curso repleto.)Tendo estudado o novo e o antigo, os sistemas Grego e Germânico,
Tendo estudado e exposto Kant, Fichte e Schelling e Hegel,
Exposto o saber de Platão, e Sócrates maior do que Platão,
E, maior que Sócrates pesquisado e exposto, Cristo divino havendo
longamente estudado,
Vejo hoje em reminiscência aqueles sistemas Grego e Germânico,
Vejo os filósofos todos, igrejas cristãs e cédulas de dez dólares vejo,
No entanto sob Sócrates claramente vejo, e sob Cristo o divino vejo,
O caro amor do homem pelo seu camarada, a atração de amigo por amigo,
Dos bem casados marido e mulher, de crianças e pais,
De cidade por cidade e de terra por terra.


Murmúrios da morte celestial


Murmúrios da morte celestial sussurrados ouvi,
Conversa labial da noite, coros sibilantes,
Passos ascendendo suavemente, aragens místicas vogavam amenas e baixo,
Ondulações de rios invisíveis, marés de uma corrente a fluir, sempre a fluir,
(Ou será o salpicar de lágrimas? as ilimitadas águas das lágrimas humanas?)Vejo, vejo exatamente em direção ao céu, imensas massas de nuvens,
Lugubremente devagar elas flutuam, silenciosamente dilatando-se e mesclando-se,
Com às vezes uma entristecida estrela, remota e semi-eclipsada,
Aparecendo e desaparecendo.(Provavelmente algum parto, algum nascimento solene e imortal;
Impenetrável sobre as fronteiras para os olhos,
Alguma alma está passando por cima.)  


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